O que aconteceu no Evento de Divulgação do Plano de Negócios da Petrobras 2017-2021? (Set/16)

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    A Diretora Executiva da Dinamus Consultoria Natália Azeredo esteve presente no evento de divulgação do Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2017-2021 da Petrobras, que ocorreu na quarta-feira, dia 21 de setembro de 2016, no auditório da FIRJAN, no Centro do Rio de Janeiro. Segue, abaixo, uma análise feita sobre as informações lá apresentadas.

    O evento teve o objetivo de aproximar a empresa do mercado e seus fornecedores, mostrando maior abertura e transparência. O auditório estava lotado e contou com a participação de Pedro Parente (presidente da Petrobras), Nelson Silva (Diretor Executivo de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão), Solange Guedes (Diretora Executiva de Exploração e Produção), Hugo Repsold (Diretor Executivo de Recursos humanos, SMS e Serviços), Jorge Celestino (Diretor Executivo de Refino e Gás Natural), Roberto Moro (Diretor Executivo de Desenvolvimento da Produção & Tecnologia) e Ivan Monteiro (Diretor Executivo da Área Financeira e Relacionamento com Investidores). Devido à ausência de João Elek (Diretor Executivo de Governança, Risco e Conformidade), sua apresentação foi feita pelo próprio Pedro Parente.

    1.Apresentação inicial – Pedro Parente

    Visão da Empresa

    Foi observada a volta do discurso de empresa de energia a partir de uma revisão da visão antiga “Ser uma das cinco maiores empresas integradas de energia do mundo e a preferida dos seus públicos de interesse” para “Uma empresa integrada de energia com foco em óleo e gás que evolui com a sociedade, gera alto valor e tem capacidade técnica única”. Destaca-se a busca por ser uma empresa que “gere alto valor”, com foco no mercado e acionistas, apesar de ser uma sociedade de economia mista. Além disso, no curto prazo, estabeleceu-se um foco maior nas fases de exploração e produção de petróleo e gás.

    Métricas ressaltadas

    No quesito de Segurança há uma expectativa de redução de 36% de acidentes (reforçando a preocupação com a situação atual) e uma redução na alavancagem financeira – dívida líquida/EBIDTA de 5,3 em 2015 para até 2,5 em 2018.

    Parente também ressaltou a meta de redução da dívida da Petrobras e o motivo de seu aumento (o custo de captação no mercado subiu para uma taxa de 8,6% a.a. em 2015, após a perda do grau de investimento). O pagamento de juros em 2009 era de US$ 1,7 bilhões e em 2015 foi de US$ 6,3 bilhões.

    Pagamento de juros USDbilhoes

    Elevacao do endividamento divida liquida

    2. Apresentação Nelson Silva (Estratégia e Gestão)

    Ressaltamos o papel protagonista do executivo na reestruturação da companhia: ele foi o segundo a falar após o presidente e todos os diretores mencionaram falas e compromissos assumidos referindo-se a ele.

    Nelson Silva mencionou a transformação cultural que a atual gestão pretende imprimir na empresa por meio de alguns pilares, dentre os quais destacamos: orçamento OBZ, meritocracia e gestão de indicadores/metas.

    Foram apresentados os cenários de futuro e o plano foi dividido em 2 partes: visão de curto prazo e de médio/longo prazo. Nesta última, a Petrobras assumiu o cenário de “cardume”, segundo a empresa, uma analogia para um cenário conservador onde a velocidade e intensidade das mudanças são moderadas. Particularmente, avaliamos que essa questão dos cenários pode parecer para alguns um pouco confusa e pouco didática. No entanto, nossa interpretação é de que houve uma tentativa de ilustrar as forças de competição, principalmente, com as energias renováveis.

    Mandala_Evolucao

    Cenario referencia para o PNG

    Ressaltamos que a metodologia de orçamento OBZ (orçamento base zero) significa uma mudança drástica na forma de composição orçamentária da Petrobras e de longo prazo de implementação. O OBZ é uma ferramenta estratégica utilizada pelas empresas na elaboração do Planejamento Orçamentário para um determinado período a partir de uma base zerada, ou seja, sem levar em consideração as Receitas, Custos, Despesas e Investimentos de exercícios anteriores (a famosa Base Histórica).

    Além disso, o diretor Nelson Silva citou a projeção da empresa para taxa de câmbio variando de US$ 3,48 a 3,78 e preço do barril de US$ 45 a 71 para 2016 a 2021, respectivamente.

    Foram elaboradas 21 estratégias e 72 iniciativas no novo plano, com destaque para as iniciativas de desburocratização da empresa e aprimoramento da gestão de riscos.

    Precos do Brent_Taxa de cambio

    Comparativo de investimentos totais

    Pretende-se também uma redução do investimento total de US$ 98 bilhões para US$ 74,1 bilhões, mantendo a proporção de investimento maior no E&P (82%), em comparação a Refino e Gás Natural (17%) e Outros (1%).

    O Capex previsto para 2017 é de US$ 19,2 bilhões. A empresa prevê também levantar US$ 19,5 bilhões com a venda de ativos (os chamados desinvestimentos) e parcerias entre 2017 e 2018.

    A redução foi menor do que o mercado esperava, o que gerou uma reação positiva na bolsa: “as ações preferenciais (com prioridade na distribuição dos dividendos) da Petrobras subiram 3,45%, a R$ 13,50, e as ordinárias (com direito a voto em assembleias) avançaram 1,07%, a R$ 15,05, em meio à repercussão favorável da revisão do plano estratégico da companhia” (Fonte: O Globo).

    Entre janeiro e junho deste exercício, a Petrobras investiu R$ 24,9 bilhões contra os R$ 35,8 bilhões aplicados em 2015. O valor deste ano é o menor desde 2006 para o primeiro semestre, quando R$ 20,8 bilhões foram investidos. Outro “recorde” negativo se concretiza quando analisada a execução financeira dos investimentos da Petrobras. Até junho deste ano, apenas 32,7% dos R$ 76,3 bilhões autorizados para aplicações da companhia em 2016 foram efetivados.

    3.Apresentação Solange Guedes (E&P)

    A diretora ressaltou que o foco da empresa é na exploração do Pré-sal na Bacia de Santos e que a Bacia de Campos também continuará gerando receitas, mas com possibilidade de atuação de parcerias com outras empresas.

    Foram citados 3 pontos importantes: acordo firmado entre Petrobras e Statoil, a recomposição de valores de exploração e ganhos de eficiência na produção do Pré-sal.

    -São mais de 300 contratos de exploração e produção da Petrobras no Brasil e exterior, e há intenção de ter uma carteira mais enxuta e de mais valor (gráfico abaixo), com foco nas operações Offshore, que são o core da companhia;

    -Interpretamos como tentativa de venda de parte dos ativos na Bacia de Campos e risco de perda de relevância da região de Macaé;

    Retorno risco grafico dispersao1

    Retorno risco _grafico dispersao 2

    Ganhos de Eficiência na Exploração e Produção

    Solange Guedes também citou a questão do atraso na entrega das plataformas pelos estaleiros como um grande impacto na antecipação de Capex pela empresa sem obtenção de retorno no tempo previsto, já que as operações ainda não iniciaram. A diretora também ressaltou a importância do comprometimento com a previsibilidade e o atingimento da meta de produção neste ano, após 13 anos sem conseguir fazê-lo. Alguns pontos ressaltados por ela:

    – A necessidade de menos poços para atingir a capacidade máxima da plataforma – 6 poços na média por plataforma gerando 150 mil boe/dia no Pré-sal;

    – Redução de 60% no tempo de construção e interligação dos poços no campo de Lula: contava com 1 unidade (Angra dos Reis) em 2010 e já conta com 6 unidades produzindo em 2016;

    – Redução do custo operacional de extração para US$ 9,6/barril;

    – Meta de produção para 2021 foi ajustada para 2,77 milhões boe/dia (Óleo e LNG – Brasil) em linha com a meta anterior de 2,7 milhões na revisão do PN divulgada em Janeiro/2016.

    Produtividade de pocos e Capex

    Producao de oleo, LGN e gas

    4.Apresentação Jorge Celestino (Refino e Gás Natural)

    O diretor comentou sobre o agrupamento de térmicas, gás e outras fontes de energia embaixo de um único “guarda-chuva”. Ressaltou que a previsão é de manutenção do parque atual de refinarias, não estando previstos novos investimentos. Citou a saída da Petrobras das áreas de Petroquímicas e Fertilizantes, além da parceria para a parte de lubrificantes (BR). Os pontos de destaque de sua apresentação são:

    – A empresa busca ser um player relevante em gás natural;

    – Ressaltou o Programa Gás para crescer do Governo Federal (leia mais aqui: http://www.mme.gov.br/web/guest/pagina-inicial/outras-noticas/-/asset_publisher/32hLrOzMKwWb/content/gas-natural-tera-novas-diretrizes-com-medidas-do-gas-para-crescer-);

    – A meta de redução de custos no refino interna é maior do que a prevista no plano de -6%;

    – Haverá saída integral das atividades de produção de biocombustíveis, distribuição de GLP, produção de fertilizantes e das participações em petroquímica;

    – O COMPERJ não terá novos investimentos. Refinaria está prevista por meio de parceria;

    – A Rota 3 – Gasoduto e UPGN estão em implantação.

    5.Apresentação Roberto Moro (Desenvolvimento da Produção & Tecnologia)

    Roberto Moro comentou sobre a necessidade de desenvolvimento tecnológico para redução de custos e que a Petrobras conta com parceria com fornecedores.

    Também ressaltou a transição da economia para o gás com um papel relevante. Foi revista a previsão de plataformas para entrar em produção sob a ótica de produtividade do Pré-sal (no novo plano serão 19 unidades). Possivelmente a maioria dos ativos serão afretados com conversão do casco na China. Porém não ficou claro quais projetos e partes serão construídos/contratados no Brasil.

    Cenario_de_preco_e_cenario_futuro

    Projecao de operacao de pocos

     

    6.Apresentação Hugo Repsold (Corporativo)

    O diretor mencionou o programa de compromisso com a vida com as iniciativas de integridade da operação e disciplina operacional. Para fornecedores com serviços relacionados à segurança, este pode ser um mercado atrativo com o aumento da preocupação em redução e prevenção de acidentes.

    Em relação ao RH, foram citadas algumas medidas para se tornar uma empresa desejada em que se trabalha, como atração e retenção de talentos, meritocracia, avaliação de desempenho e mecanismos de reconhecimento e recompensa.

    Também foram comentados os programas de PIDV (Plano de Incentivo à Demissão Voluntária) e redução do quadro de funcionários:

    – Já se desligaram da empresa 9.270 empregados e estão previstos mais 9.670 em 2017;

    – Desde dez/14, também já foram desligados 114.000 terceirizados.

    Hugo Repsold também comentou sobre mudanças no relacionamento com fornecedores no processo de gestão da base, convidando todos para as oportunidades e propondo aproximação para serem desenvolvidas soluções de engenharia em parceria com os fornecedores.

    Também foi mencionada a possibilidade de flexibilizar processos de contratação e, quando indagados sobre como isso seria feito em um processo onde a concorrência se dá unicamente por preço, responderam que a criação dos projetos deve ocorrer no momento da proposta de escopo, antes das licitações serem abertas

    7.Apresentação Ivan Monteiro (Diretoria Financeira e Rel. Investidores)

    O diretor fez um discurso mais otimista e comentou que o programa de parcerias e desinvestimentos é o maior pilar para diminuir a alavancagem financeira. Os principais pontos do seu discurso foram:

    – Transparência, Previsibilidade e Responsabilidade;

    – Compartilhamento de ativos com parceiros;

    – Receita (preços competitivos) e custos com eficiência operacional;

    – Cobrança de metas das gerências de forma individual;

    – Provisionamento para riscos, acompanhando de perto disputas judiciais em que a empresa esteja envolvida: trabalhistas, class action (EUA) e tributárias. (Saiba mais sobre a class action aqui: http://infogbucket.s3.amazonaws.com/arquivos/2016/08/02/documento-petrobras.pdf);

    Ao final, um dos empresários presentes perguntou sobre o valor a ser desembolsado caso os riscos se concretizassem e a resposta foi evasiva. Ainda assim, o mercado considerou a meta de desalavancagem da Petrobras agressiva, porém bem vista pelos investidores.

    Usos e fontes 2017-2021

    8.Apresentação Pedro Parente, em lugar de João Elek (Diretor Executivo de Governança, Risco e Conformidade)

    O presidente ressaltou a importância de reestabelecer a credibilidade da empresa perante todos os stakeholders, não permitindo que outro episódio como a Operação Lava Jato volte a ocorrer, porém sem perder a agilidade no processo decisório. Foram elencadas algumas principais medidas adotadas:

    – Decisões são todas colegiadas (eliminação das alçadas individuais);

    – Comitês técnicos estatutários (aumento da responsabilidade);

    – Comitê de auditoria estatutário;

    – Acréscimo de novos comitês de assessoramento do Conselho;

    – Alinhamento de diretrizes das empresas do Sistema Petrobras;

    – Processo sucessório para funções gerenciais e de diretoria.

    Também citou que a Petrobras é assistente da acusação em todos os processos atuais da Operação Lava Jato no sentido de recuperar as perdas da empresa. Parente finalizou a apresentação comentando sobre a visão de longo prazo da empresa e enfatizando que seu mandato é de 2 anos.

    Natália Azeredo

    Sócia Executiva

    DINAMUS Inteligência em Negócios