Seminário Plano de Negócios e Gestão da PETROBRAS 2017-2021 (Dez/16)

  • Seminário Plano de Negócios e Gestão da PETROBRAS 2017-2021 (Dez/16) 

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    Na última semana, dia 05 de dezembro de 2016, aconteceu em Macaé o Seminário Plano de Negócios e Gestão da PETROBRAS 2017-2021 promovido pelo Sebrae, Rede Petro Bacia de Campos, Associação Comercial e Industrial de Macaé (ACIM) e FIRJAN. A Sócia da Dinamus, Jamile Delesposte, esteve presente no evento e realizou uma análise das principais informações apresentadas.

    O principal objetivo do evento foi promover um encontro com fornecedores e instituições empresariais da bacia de Campos e apresentar os principais desdobramentos do Plano de Negócio e Gestão da Petrobras para a região. A palestra foi realizada pela Solange Guedes, Diretora Executiva de Exploração e Produção da Petrobras, trazendo atualização de alguns dados, desdobramentos já alcançados e ao final da apresentação se dispôs a responder as perguntas dos empresários presentes no evento.

    1. Apresentação inicial – informações gerais sobre o Plano de Negócio e Gestão    

    Solange iniciou a apresentação destacando a nova missão da Petrobras “Uma empresa integrada de energia com foco em óleo e gás que evolui com a sociedade, gera alto valor e tem capacidade técnica única”. A empresa voltou a centralizar suas atividades nos setores de Petróleo e Gás e foi comentado que atualmente ela não possui fôlego para atender outras áreas.

    O EBITDA trimestral da empresa atualmente está em torno de US$20 bilhões e o valor da dívida é aproximadamente de US$100 bilhões. Devido aos custos de capital relacionados à dívida, atualmente o gasto da empresa é quatro vezes maior comparado a 2008. Além disso, o custo de capital da empresa cresceu muito no último ano, já que a Petrobras perdeu o grau de investimento internacional. Solange ressaltou que a companhia pretende sanar suas dívidas o mais rápido possível e dessa maneira ter fôlego para realizar novos investimentos.

    Devido à necessidade de geração de fluxo de caixa positivo, observa-se maior ênfase ao setor de Exploração e Produção, que, como mencionado, passa a receber 82% dos investimentos totais. Também é importante destacar que os investimentos da companhia são direcionados em sua maioria para exploração e produção, sendo o desenvolvimento da produção o foco principal porque é mais rentável e poderá favorecer a empresa a atingir sua métrica de redução da alavancagem.

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    Considerando o montante dedicado para o E&P (US$ 60,6 bilhões), 11% serão dedicados para a Exploração, 76% para o Desenvolvimento da Produção e 13% para o Suporte Operacional. Sendo que 66% destes investimentos serão dedicados ao Pré-Sal e os outros 34% ao Pós-Sal.

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    Além das questões relacionadas a investimento, Solange citou sobre o desinvestimento da Petrobras. A empresa já realizou a venda de sua participação de 66% no campo de Carcará na bacia de Santos no Pré-Sal para a Statoil. Esse plano vem passando por um processo de investigação, conforme notícia dessa semana que menciona que o TCU (Tribunal de Contas da União) paralisou o processo de venda de ativos da Petrobras. O TCU determinou que enquanto o órgão não finalizar a análise do mérito do programa de desinvestimento, a empresa não pode fechar nenhum negócio relacionado ao seu programa de desinvestimento. Na figura abaixo é apresentado o plano de desinvestimento da companhia para os anos de 2016 e 2017.

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    Solange também mostrou os principais desafios da Petrobras atualmente e para os próximos anos. O principal desafio hoje é gerar caixa, diminuindo a dívida da empresa o mais rápido possível. A partir de 2018 a empresa acredita que terá a ampliação do valor de seus ativos já existentes. É previsto que após 2020 será retomada a questão da exploração de novas fronteiras visando, principalmente, a intensificação do desenvolvimento do Pré-Sal.

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    2. Informações específicas sobre a bacia de Campos (BC)

    A maioria dos poços da bacia de Campos são considerados maduros, uma vez que a sua exploração foi iniciada há aproximadamente 40 anos. Por esse motivo, a bacia possui um declínio estável na produção nos últimos 3 anos, conforme observado na figura abaixo. Solange comentou que a bacia de Campos consegue obter um desempenho maior que o existente e, por isso, a Petrobras está em busca de parceiros estratégicos específicos para aumentar o seu potencial de produção.

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    A Petrobras desenvolve um Programa de Aumento da Eficiência Operacional (Proef) que tem o objetivo de aumentar constantemente a eficiência dos campos maduros e o grau de exploração de óleo. Segundo a Petrobras, devido ao Proef a eficiência operacional alcançada da bacia de Campos atingiu 80% em 2014 e 75% em 2013, contribuindo para compensar o declínio natural destes campos.

    Atualmente a UO-BC possui 34 plataformas, a UO-RIO 16 e a UO-ES 4. No Brasil atualmente existem 162 plataformas em operação considerando todas as operadoras. Vale destacar que a bacia de Campos possui 711 poços, que representam 70% dos poços marítimos da Petrobras e 57% da produção nacional, com aproximadamente 1,7 milhão de boe/dia.

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    Conforme informado por Solange Guedes, as manutenções nas plataformas da bacia de Campos, acontecerão a cada três anos e terão duração de 15 dias, em média. Para isso, haverá um aporte de tecnologia que reduzirá o número de dias das paradas.

    Tendo em vista à redução da expectativa de investimentos por parte da Petrobras (CAPEX), especialistas preveem que os esforços da companhia se concentrarão, principalmente, na manutenção das instalações em operação (OPEX).

    Segundo a consultoria Douglas-Westwood (DW), em análise publicada pela Brasil Energia, o mercado de manutenção, modificações e operações (MMO) offshore crescerá 4,1% a.a. entre 2017 e 2021. Apesar da pressão sobre os preços, os estímulos aos gastos operacionais continuarão fortes, principalmente, devido ao grande número global de unidades, à degradação dos ativos e à regulação da indústria. Pode-se inferir, através destas e outras informações, que uma recuperação deste setor é iminente, com aumento significativo de gastos no período.

    Ainda de acordo com a consultoria, a expectativa de gastos é da ordem de US$ 81 bilhões com o segmento em 2017 para atender aos 8.700 ativos fixos e flutuantes existentes no mundo. Ao todo, a previsão é que 21% dos gastos totais com MMO entre 2017 e 2021 sejam direcionados para modificações, enquanto 14% devem ser investidos na integridade dos ativos, 6% em serviços de apoio e os outros 60% em serviços gerais.

    Solange também mostrou um resumo sobre o número de equipamentos na bacia de Campos atualizado em novembro de 2016. A bacia possui 868 árvores de natal molhada e 78 manifolds. Além disso, a empresa possui uma frota de 38 helicópteros atendendo à região, que pode ser considerada maior que a frota da Statoil inteira.

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    Os aeroportos utilizados para a atender a bacia de Campos (Cabo Frio, São Tomé, Campos e Macaé) transportam mais de 70 mil passageiros por mês. Já a frota atual de embarcações é de 219 barcos, o que corresponde a 42% da frota nacional (Petrobras e demais empresas), conforme apresentado na figura abaixo. Comparando a 2014 a frota da Petrobras na bacia de Campos era de 243.

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    Também foi informado o número da sua força de trabalho, a companhia possui cerca de 11 mil empregados e mais de 42 mil terceirizados na bacia de Campos. Na companhia já foram desligados 114 mil terceirizados desde dezembro de 2014.

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    Solange também mostrou aos participantes um gráfico com o volume (em R$) de contratos na bacia de Campos. Os dados consideraram UO-BC, UO-RIO, UO-ES, Logística, Manutenção e Apoio e correspondem apenas a contratos de longa duração (de 4 a 5 anos).

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    Esses contratos representam uma parcela do número de contratações da Petrobras, uma vez que muitos contratos possuem duração de dois anos. Comparando o volume de 2015 com os contratos assinados até o momento em 2016, pode-se observar uma diminuição de 31%.

    Também foram apresentados os números de contratações de fornecedores na bacia de Campos. Não há muita oscilação nos últimos três anos. Com isso, é possível constatar que a média de valor contratado por fornecedor, considerando contratos de longa duração, foi de R$246 milhões em 2014, R$276 milhões em 2015 e R$233 milhões em 2016.

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    3. Descomissionamento

    Ao final da apresentação, Solange comentou sobre o planejamento de descomissionamento da companhia. As operações de descomissionamento offshore são relativamente novas nos campos brasileiros, já que a indústria nacional está começando a lidar com o final da vida produtiva de alguns campos e/ou fim da vida-útil de suas plataformas nos campos exploratórios e produtivos de Petróleo e Gás.

    Solange salientou que há diversas demandas por serviços relacionados a descomissionamento. Há espaço para novas tecnologias e a companhia precisa de contribuição do mercado para desenvolver essa atividade. A operadora ainda não possui uma definição formulada de qual modalidade seguirá para os descomissionamentos necessários, tampouco a definição de como se dará este tipo de contratação de seus fornecedores.

    Solange também mostrou um planejamento de descomissionamento e revitalização da Petrobras para o período de 2017 a 2025, conforme pode ser visualizado na figura abaixo. Em Marlim a companhia substituirá nove plataformas por dois FPSOs, que possuem capacidade para extrair até 100 mil barris por dia cada uma.

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    Alguns trabalhos de descomissionamento já foram iniciados pela Petrobras no campo de Cação, em águas rasas da bacia do Espírito Santo. O projeto, aprovado pela ANP e IBAMA, prevê o abandono dos poços e a retirada das 3 plataformas, com remoção integral dos conveses e jaquetas para reciclagem do aço, de acordo com a Petrobras. Os conveses das plataformas já foram removidos, e a retirada da jaqueta do fundo do mar deve ocorrer a partir de março do ano que vem.

    Segundo informações da Brasil Energia, a P-12 do campo de Linguado, na bacia de Campos teve a produção interrompida em fevereiro de 2015. A Petrobras irá leiloar P-12 e a P-7, essa segunda que teve atuação no campo de Bicudo, na bacia de Campos. As plataformas P-15 e P-33, nos campos de Piraúna e Marlim, terão a produção interrompida em breve. O destino das unidades ainda está indefinido.

    Solange mencionou que há uma discussão com Ibama e ANP de como será realizado o descomissionamento, já que hoje não existe uma legislação específica para o abandono de plataformas no Brasil.

    A Petrobras criou recentemente uma nova gerência em seu novo organograma para tratar especificamente do tema de descomissionamento. Segundo a petroleira, o principal intuito neste momento é a extensão da vida útil dos seus ativos e a venda para pequenos operadores dos que não forem mais economicamente viáveis para a empresa, de forma que os campos se tornem viáveis pela estrutura menor das compradoras.

    Segundo informações disponibilizadas pela Brasil Energia no início deste mês, a Ásia deve ser o destino de várias das plataformas que estão sendo descomissionadas do offshore brasileiro. Como não há uma definição para sanar as questões ambientais, a Ásia é uma opção hoje por conta das restrições ambientais no Brasil. Porém as unidades que possuem coral em sua estrutura não podem ser deslocadas do Brasil.

    Os empresários da região receberam Solange com muita gratidão pela sua vinda a Macaé. Ao final da palestra os empresários agradeceram e identificaram oportunidades para a região frente ao cenário e perspectivas futuras. A bacia de Campos continuará por período considerável como uma área estratégica para a Petrobras. Apesar da diminuição de sua produção, ela representa o maior percentual de produção e ainda produzirá consideravelmente para o Brasil.

    Jamile Delesposte

    Sócia e Líder de Projetos

    Dinamus Consultoria